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(REPRODUÇÃO PARCIAL DE TEXTO)
“ ABBR
... Quem passa pela Rua Jardim Botânico, vê ali um muro
branco, um grande portão aberto pelo qual se vislumbra um
modesto barracão. É o número 660. Nem de longe poderá alguém
supor que lá dentro se abriga uma das mais beneméritas
instituições desta cidade. É a ABBR, ou melhor, a Associação
Brasileira Beneficente de Reabilitação que vela
carinhosamente pelos paralíticos, em sua maioria crianças
vítimas da paralisia infantil. Sem distinção de raça, côr,
idade ou posição social. Lá todos se misturam como
sofredores, como infelizes que tiveram a desdita de vir ao
mundo perfeitos e a maldita enfermidade privou-os de um
simples direito - o de andar.
A ABBR nasceu modesta. Foi na ABI, em sessão pública, que
Fernando Lemos a lançou. No gênero, com base científica nada
existia. Hoje existe servida por um corpo de médicos
especializados que trabalham e se dedicam de alma e coração,
gratuitamente. Diz um ditado popular que quem trabalha de
graça é relógio de bôbo porque trabalha de graça... Pois os
médicos da ABBR trabalham de graça e não são bobos. São
beneméritos da dedicação com que concorrem para o “Deixai
vir a mim as criancinhas” livres das muletas e das cadeiras
de rodas a que estavam condenadas pela vida afora.
Dentro em pouco, espero, a ABBR terá dois sócios fundadores
beneméritos. São Fernando Lemos e Percy Murray, a dupla
sagrada da casa, sem embargo da gratidão que se deve a todos
que por ela trabalham no sacerdócio da bondade. A ABBR,
pois, pela sua finalidade humanitária também merece uma
chuva de dádivas, que estou certo, não tardará.”
Sr. Floresta de Miranda
JORNAL CORREIO DA MANHÃ
05 de junho de 1954
(mais tarde ele passou a fazer parte da Diretoria da ABBR)
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